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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Comer de 3 em 3 horas emagrece?

Geraldo Medeiros

A contínua “conversa” entre o estômago e o cérebro

A sensação de fome surge, como todos sabemos, depois de um período sem alimentação de várias horas sendo, popularmente, definida por frases como “meu estômago está roncando”, “sinto um vazio na barriga” e por aí vai. Portanto desde há séculos já se sabia que o nosso aparelho digestivo, de alguma forma, envia sinais para a área cerebral avisando que falta comida. Algumas pessoas podem passar longas horas sem comer, sempre atarefadas, absorvidas em suas atividades, pressionadas para terminar uma tarefa, um projeto, um importante trabalho. Nestas ocasiões o sinal do estômago pode estar falhando, mas o mais provável é que o cérebro, nosso computador central estaria tão ocupado, tão ativo e tão concentrado no projeto, no trabalho, que deixa de receber os sinais desesperados do estômago vazio. Mas no comum de todos os dias a maioria das pessoas acorda e, após a higiene pessoal, se dirige à mesa para o café da manhã, o qual pode ser frugal (o mais comum em nossos hábitos alimentares) ou muito copioso (como “break-fast” dos anglo-saxões). Não é raro o comentário de crianças, adolescentes e pessoas adultas de afirmarem “nada como de manhã, não tenho fome”. Possivelmente os sinais do estômago não estão sendo emitidos ou o sistema central já se acostumou com a ideia de que não é necessário comer pela manhã. Estas pessoas estão totalmente erradas sob o ponto de vista nutricional. O sistema metabólico, pela manhã, ainda está lento após horas de sono. Para que inicie os procedimentos de “queima” calórica, é necessário que o alimento chegue ao tubo digestivo.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Alimentos do tipo “diet” e “light”

Geraldo Medeiros

O significado nutricional dos alimentos “diet” e “light”

Existe uma natural confusão entre o alimento tipo “diet” e os que são denominados de “light”. Ambos os vocábulos são emprestados do idioma inglês, mas a tentativa de traduzir para “alimento dieta” e “alimento leve” não pegou. Todos falam de “diet” e “light” e a maioria dos consumidores associa a estas qualificações como sendo de produtos de BAIXAS CALORIAS e, consequentemente, recomendados para pessoas que desejam perder alguns “quilinhos”. Ledo engano! Alguns alimentos “diet” surpreendentemente podem ter mais calorias que o produto original. Para que esta confusão, tão comum e difundida, possa ser esclarecida é necessário que voltemos às Resoluções da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) na qual se reserva o termo “diet” para dois tipos de alimentos:

1. Alimentos para dietas de diabéticos, obesos, hipertensos, com doença renal ou cardíaca crônica (entre outros tipos de moléstias) nos quais existe restrição de algum nutriente importante nos produtos alimentícios indicados para a saúde dos pacientes acima referidos. Por exemplo: alimento no qual se retirou o açúcar e se adicionou o adoçante não calórico. Este alimento pode ser receitado ou recomendado para diabéticos. Os que têm doença renal crônica irão precisar de alimentos com baixo teor de proteína e sódio. Os hipertensos precisam controlar a ingestão de sódio.

2. Ainda dentro dos alimentos “diet” se colocam os que são destinados aos que têm excesso de peso e desejam ter alimentos com restrição de alguns nutrientes tais como carboidratos e açúcares. Os alimentos “diet” restritos em carboidratos (pães, balas, chocolates) podem ter, no máximo 0,5 grama de açúcar por 100g de alimento. Os alimentos restritos em gordura, como o iogurte desnatado, devem ter 0% (zero) de gordura. Os restritos em proteínas devem, também, ser isentos deste nutriente. É importante que fique bem claro que nem todos os alimentos “diet” apresentam diminuição significativa de CALORIAS e, portanto, são uma “armadilha” nutricional para quem quer emagrecer. Um exemplo clássico é o chocolate “diet” no qual o açúcar foi substituído por adoçante. Muitas vezes para torná-lo mais palatável o fabricante adiciona gordura o que o faz mais calórico do que o chocolate normal. O chocolate “diet” é indicado para os diabéticos, mas não há vantagem para quem quer perder peso.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Células Adiposas e Obesidade

As células adiposas são as que armazenam gordura.

As células adiposas, também denominadas de ADIPOCITOS, são formadas a partir de elementos celulares mais primitivos, os quais, progressivamente, amadurecem e passam a ser os nossos “depósitos” de GORDURA. O organismo tem nas células adiposas a sua Reserva Energética, isto é, assegura excesso de gordura para os períodos de fome prolongada, quando não existe a ingestão de alimentos. 
O jejum prolongado por dias, seja por motivos médicos (cirurgias de grande porte, internações em terapia intensiva, alterações cirúrgicas de estômago e outras estruturas intestinais) ou por motivos religiosos, políticos, como forma de protestar (greve de fome), leva a uma rápida e constante depleção de gordura das células adiposas fornecendo, desta forma, a energia indispensável para que o organismo possa manter suas funções vitais (coração, cérebro, rins, fígado, etc). É interessante observar que o nosso computador central (o sistema cerebral) envia ordens ao mecanismo que controla o gasto energético (a tireóide, por exemplo) para poupar, o máximo que puder, a “queima” de gordura no período do jejum. Assim “desliga” o sistema hepático, que transforma o hormônio T4 em hormônio T3, mais ativo metabolicamente (ambos da tireóide). O hormônio T3 é conhecido como “agente gastador” de energia acumulada. Com esta medida metabólica pouco T3 é gerado e a célula adiposa pode guardar por mais tempo a sua “Reserva Energética”. Em animais que hibernam no Inverno do Hemisfério Norte, tais como a marmota e o urso, a mesma fisiologia ocorre: desliga-se a formação de T3 para reduzir o gasto energético durante o período de frio e volta-se a ligar na primavera.


Formação e número de células adiposas.

O rechonchudo bebê, padrão de saúde, com suas roliças formas, cujo exemplo típico são os “anjinhos” que encontramos nas fontes renascentistas e em figuras de altares católicos, ainda possuem um número de células adiposas muito pequeno, embora repletas de gordura. No gráfico que apresentamos nota-se que o número total de células adiposas do corpo humano aumenta com a idade, a partir dos 4-5 anos de idade até a puberdade, tanto nas meninas como nos meninos. As adolescentes possuem mais células adiposas que os rapazes por causa de produzirem estrógenos (hormônios femininos).