Há cerca de 15 anos nota-se que a prevalência do excesso de peso e obesidade entre crianças e jovens adolescentes vem aumentando de forma assustadora tanto nos países industrializados como em países emergentes como a China, Rússia, Índia e Brasil, entre outros. Tomando como exemplo os Estados Unidos observou-se que cerca de 11% dos escolares apresentavam excesso de peso em 1990. Em 2005 este valor passou a ser de 29%.
Curiosamente os países anglo-saxônicos (EUA, Reino Unido e Austrália) são os campões desta estatística de obesidade infanto-juvenil. A definição de excesso de peso e obesidade é determinada em adultos pelo Índice de Massa Corporal (IMC) o qual é o número obtido da divisão do peso em quilos (kg) pela altura, em metros, elevada ao quadrado.
Todavia a criança e o adolescente crescem e a altura eleva-se a cada 6-12 meses, o que modifica o IMC sem que haja, necessariamente, excesso de peso ou obesidade. Para corrigir o fator crescimento estabeleceram-se tabelas com crianças e adolescentes de 2 a 20 anos indicando o IMC para cada idade (facilmente obtidas no site www.cdc.gov/growthcharts/49).
Quando a criança / adolescente está acima de determinado valor do IMC para sua idade dizemos que ela está com excesso de peso. No caso de ultrapassar os 95% do IMC para sua idade é considerada obesa.
A obesidade tem várias causas
O ser humano possui um complexo mecanismo controlador da Fome e da Saciedade que é estabelecido tanto na vida intrauterina como na fase pós-natal. Desde que haja aporte de suficiente de alimento na vida fetal este "termostato ou nutrostato" é perfeitamente regulado.
Após ingerir comida suficiente - em qualidade e em quantidade - cessa o estímulo (fome) para continuar a refeição, estimulando-se a saciedade. Na hipótese da criança, em gestação, receber poucos nutrientes vindos da mãe, passa a regular o seu "nutrostato" para a posição de fome continuamente.
Terá alta probabilidade de ser obesa, na fase pós-nascimento, por ter fome constantemente. Na fase pós-natal o recém-nascido que foi amamentado por seis meses ou mais tem muito pouca chance de ser obeso comparativamente àqueles que não foram amamentados com leite materno. Fatores genéticos são importantes.
Muito recentemente verificou-se que boa parte das crianças obesas tem uma alteração em determinado gene (FTO = fator determinante de obesidade), que leva à fome compulsiva e predileção por alimentos de elevado teor calórico. O meio ambiente, é óbvio, tem um papel muito importante para que o gene se manifeste. Quando ambos os progenitores são gordos existe no ambiente doméstico uma valorização muito grande do fator "comida", quase sempre de elevado teor calórico. Frequentemente a família utiliza-se de fast-food, comidas pré-preparadas, refrigerantes, pipocas, salgadinhos, batatas fritas... Tudo isso acompanhado de horas de TV.
Lanches e salgadinhos na escola
Recente levantamento realizado na cidade de São Paulo mostrou que na maioria das escolas havia uma ampla gama de salgadinhos disponíveis para escolares, todos ricos em gordura, altamente calóricos em embalagens atraentes. Mas pior ainda: as informações nutricionais das embalagens minimizam o conteúdo de gordura e de calorias, bem como do sal.
Quase todas as embalagens não estavam corretas e não faziam referência à gordura 'Trans", altamente prejudicial ao nosso organismo e, possivelmente, pior ainda para as crianças. Por outro lado quase todos os cinemas atraem crianças e adolescentes para o balcão onde saem enormes baldes de pipoca, imensos copos de refrigerantes, barras de chocolates com nozes, avelãs, etc. Todos estas guloseimas empurram a criança/adolescente à obesidade.
O fator sedentarismo
Há cerca de 30 ou 40 anos, a imensa maioria da garotada corria atrás de balões, jogava bola na rua ou em terrenos baldios, andava de bicicleta, empinava-se pipas, nadava nas piscinas, nos lagos, nos riachos. Hoje, após as aulas e os deveres escolares, a criança e o adolescente vão direto ao computador (se tiver), ou à televisão.
Os jogos eletrônicos atraem a garotada como mel atrai moscas. Os jogos acoplados à tela fazem com que o adolescente fique horas e horas sentado, com o gasto energético mínimo. Os aparelhos portáteis (game-boy, DS, PSP) levam o adolescente a deitar-se no sofá, onde, por horas a fio, afasta-se do mundo, hipnotizado pelo jogo eletrônico. Existe uma correlação nítida entre ganho de peso e tempo dedicado à televisão/jogos eletrônicos. Quanto maior o número de horas na tela, maior o ganho de peso.
Consequências da obesidade infanto-juvenil
A mais séria consequência ao excesso de peso na infância e adolescência é a progressiva incidência de obesidade na vida adulta. Estatísticas demonstram que crianças e adolescentes obesos serão candidatos à obesidade na vida adulta em proporção superior a 50%, isto é, cerca de metade dos obesos infanto-juvenis terão que lutar contra o excesso de peso durante a vida adulta. Além disso, as crianças e adolescentes que ultrapassam a barreira de um Índice de Massa Corporal superior a 95% são considerados como candidatos às mesmas comorbidades que os adultos - alterações nas articulações (principalmente joelho e coluna), pedras na vesícula, alterações nas gorduras do sangue (colesterol elevado, HDL-colesterol (colesterol bom)) baixo e propensão para doenças coronarianas em idade relativamente jovem (30 - 40 anos).
O tratamento deve ter a cooperação da família
O princípio fundamental é a mudança do estilo de vida: dedicar menos horas ao lazer sedentário e, pelo menos, uma hora por dia ao exercício aeróbico. Os gordinhos não gostam de Academia de um modo geral. A figura do pai é fundamental nesta parte do tratamento.
O pai é que deve estimular o filho a acompanhá-lo em caminhadas, em dar umas voltas de bicicleta, em nadar no clube. Para as meninas nada melhor que ouvir música no Ipod e dançar sozinha, em seu quarto, ao balanço da música, fazendo sua coreografia, jogando braços e pernas ao ritmo da música, pensando em estar no palco, participando de um show.
A dieta ainda considerada melhor é a supressão dos carboidratos de alto índice glicêmico (doces, sorvetes, chocolates, arroz branco, pão branco, etc). Usar mais pão integral, arroz integral, legumes, verduras, saladas. Muita proteína (carne, peixe, frango, queijos, ovos) e NUNCA pular refeições. Fugir dos salgadinhos e dos lanches da escola, da pipoca, dos refrigerantes. Ter o apoio do médico (ou da nutricionista) constante e frequente. Alguns medicamentos podem ajudar a partir dos 12 anos de idade.
A ansiedade por comer pode ser controlada. Com todos da família ajudando e o médico orientando existe ampla possibilidade de êxito nesta terapêutica comunitária.
Por Geraldo Medeiros 09-03-09
segunda-feira, 9 de março de 2009
segunda-feira, 2 de março de 2009
SUA SAÚDE DURANTE O VERÃO
É verdade que o verão e algumas de suas principais características - praia, calor, sol, caminhadas pela areia, banhos de mar - revigoram as energias para as tarefas estressantes do ano todo. Mas a estação também pode nos trazer alguns dissabores.
Os alimentos que vêm do mar têm de ser frescos e bem armazenados em temperaturas baixas (muito gelo). Desta forma, os peixes, os crustáceos, os frutos do mar são conservados por algum tempo (mas não infinitamente) em condições sanitárias ideais. Um dos maiores problemas durante o verão é a contaminação bacteriana dos produtos do mar.
Seja pela longa exposição ao sol, ao ar exterior, com possibilidade de moscas voando por perto, ou por contaminação na cozinha (algum ajudante do cozinheiro não lavou bem as mãos), as bactérias logo se instalam no alimento e se proliferam. Sem dúvida os mais perigosos são os camarões e as lagostas.
É preciso saber que estes crustáceos contaminam-se e deterioram-se em questão de horas após o cozimento e, potencialmente, são como "bombas" de efeito retardado. As bactérias se acumulam, produzem toxinas, que irão induzir a famosa gastroenterocolite (vômitos, cólicas, diarreia). É um dos problemas mais comuns de saúde no verão.
As toxinas produzidas por bactérias levam a gastrite (inflamação do estômago), provocam vômito e induzem diarreia e desidratação. Dependendo da gravidade do caso, o paciente precisa ir ao hospital para hidratar-se e ser medicado com atropina e antibióticos.
Quanto à cozinha japonesa, todo cuidado é pouco e, talvez, este tipo de culinária deva ser reservado para outras ocasiões.
A água que bebemos nem sempre é potável
Todos os dias os jornais, durante o período do verão, divulgam as praias "impróprias" para o banho de mar, pois o nível de bacilos coliformes (proveniente de esgoto lançado ao mar) está elevado.
É claro que o desavisado banhista pode ingerir água do mar contaminada. Por outro lado a água dita potável, vinda da torneira, apesar de todo o esforço da Sabesp pode ser fonte de bactérias indesejáveis.
O melhor conselho é tomar a água de coco, refrigerante light ou zero, e muita água engarrafada. Este conselho vale, principalmente, para crianças.
Cachorros na praia são fontes de doenças
Muitas das praias do nosso litoral paulista proíbem a presença de cachorros.
Ainda assim, com frequência, observamos os animais na areia e na água. As fezes dos cães pode provocar doenças de pele como o bicho geográfico. As larvas ficam no subcutâneo e migram, causando enorme desconforto, coceira e mal estar. Um incômodo que pode ser evitado.
As águas vivas podem causar queimaduras
Em muitas praias do Sudeste, o aumento da temperatura da água do mar pode trazer as águas vivas, que em contacto com o banhista se sente agredida e lança um líquido abrasivo, provocando lesão cutânea muito dolorosa, como se fosse uma queimadura.
A lesão quase sempre é na região do peito ou das costas, maiores áreas expostas. O difícil é ver a água viva, pois ela é totalmente translúcida, com uma cor leitosa e fica na superfície da água, em grupos enormes. No caso de ser atingido por água viva, você deve sair da água, cobrir a área afetada com a toalha e procurar um posto de saúde ou hospital para receber antialérgico.
Eventualmente injeção de corticoide, aplicação local de cremes protetores e esperar os bons resultados do tratamento. Trate de aproveitar suas férias, curta o seu verão, aproveite a praia e o mar, mas cuide-se para não cair nas armadilhas para a saúde que foram mencionadas.
Por Geraldo Medeiros 02-03-09
Veja OnLine - MAR 2009
Os alimentos que vêm do mar têm de ser frescos e bem armazenados em temperaturas baixas (muito gelo). Desta forma, os peixes, os crustáceos, os frutos do mar são conservados por algum tempo (mas não infinitamente) em condições sanitárias ideais. Um dos maiores problemas durante o verão é a contaminação bacteriana dos produtos do mar.
Seja pela longa exposição ao sol, ao ar exterior, com possibilidade de moscas voando por perto, ou por contaminação na cozinha (algum ajudante do cozinheiro não lavou bem as mãos), as bactérias logo se instalam no alimento e se proliferam. Sem dúvida os mais perigosos são os camarões e as lagostas.
É preciso saber que estes crustáceos contaminam-se e deterioram-se em questão de horas após o cozimento e, potencialmente, são como "bombas" de efeito retardado. As bactérias se acumulam, produzem toxinas, que irão induzir a famosa gastroenterocolite (vômitos, cólicas, diarreia). É um dos problemas mais comuns de saúde no verão.
As toxinas produzidas por bactérias levam a gastrite (inflamação do estômago), provocam vômito e induzem diarreia e desidratação. Dependendo da gravidade do caso, o paciente precisa ir ao hospital para hidratar-se e ser medicado com atropina e antibióticos.
Quanto à cozinha japonesa, todo cuidado é pouco e, talvez, este tipo de culinária deva ser reservado para outras ocasiões.
A água que bebemos nem sempre é potável
Todos os dias os jornais, durante o período do verão, divulgam as praias "impróprias" para o banho de mar, pois o nível de bacilos coliformes (proveniente de esgoto lançado ao mar) está elevado.
É claro que o desavisado banhista pode ingerir água do mar contaminada. Por outro lado a água dita potável, vinda da torneira, apesar de todo o esforço da Sabesp pode ser fonte de bactérias indesejáveis.
O melhor conselho é tomar a água de coco, refrigerante light ou zero, e muita água engarrafada. Este conselho vale, principalmente, para crianças.
Cachorros na praia são fontes de doenças
Muitas das praias do nosso litoral paulista proíbem a presença de cachorros.
Ainda assim, com frequência, observamos os animais na areia e na água. As fezes dos cães pode provocar doenças de pele como o bicho geográfico. As larvas ficam no subcutâneo e migram, causando enorme desconforto, coceira e mal estar. Um incômodo que pode ser evitado.
As águas vivas podem causar queimaduras
Em muitas praias do Sudeste, o aumento da temperatura da água do mar pode trazer as águas vivas, que em contacto com o banhista se sente agredida e lança um líquido abrasivo, provocando lesão cutânea muito dolorosa, como se fosse uma queimadura.
A lesão quase sempre é na região do peito ou das costas, maiores áreas expostas. O difícil é ver a água viva, pois ela é totalmente translúcida, com uma cor leitosa e fica na superfície da água, em grupos enormes. No caso de ser atingido por água viva, você deve sair da água, cobrir a área afetada com a toalha e procurar um posto de saúde ou hospital para receber antialérgico.
Eventualmente injeção de corticoide, aplicação local de cremes protetores e esperar os bons resultados do tratamento. Trate de aproveitar suas férias, curta o seu verão, aproveite a praia e o mar, mas cuide-se para não cair nas armadilhas para a saúde que foram mencionadas.
Por Geraldo Medeiros 02-03-09
Veja OnLine - MAR 2009
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
MEDICIANA HERBAL
O uso terapêutico isolado ou combinado, de plantas para tratamento de doenças data de cerca de 5.000 anos da nossa era. Tanto os egípcios como os sumerios indicam em textos decifrados pelos estudiosos que o alho, ópio, menta, vários tipos de infusões (chás medicinais) já faziam parte do arsenal terapêutico dos médicos destas antigas civilizações.
Mas não há muita dúvida de que o herbalismo chinês, pela sua importância e amplo uso em vários países asiáticos (além da China), seria o mais importante. Um documento sobre Medicina Herbal, datando de 2700 anos aC, lista cerca de 365 plantas medicinais e as suas respectivas ações terapêuticas.
As gerações sucessivas de médicos chineses ampliaram este arsenal herbalista e no século VII de nossa era surgiu o "Tratado da Natureza e uso de Plantas Medicinais".
Nestes textos antigos nota-se que existe muito influência filosófica (Teoria Confunciana), poética e apelo a influências cósmicas. Não se pode comparar a Medicina Herbal dos Chineses com nossa maneira de utilizar um remédio para determinada moléstia.
Geralmente o médico chinês usa combinações de várias plantas. Em tais panaceias existe o componente que, sob o ponto de vista hierárquico, é o mais importante (em chinês: o "rei" da preparação terapêutica), ao qual se agregam outras comparáveis aos ministros do rei, que são auxiliares na "cura" do problema.
Para completar a fórmula agregam-se as ervas adjuvantes (plantas comparáveis aos militares) e as ervas secretas. Portanto a Medicina Tradicional Chinesa usa os vários componentes de acordo com a idade, o sexo, a corpulência, as manifestações clínicas e emocionais, bem como a influência cósmica, o horóscopo do dia, a data do nascimento.
Todos estes fatores clínicos, filosóficos e cósmicos individualizam a preparação para cada paciente. A Medicina Herbalista também floresceu na Índia com o nome genérico de Ayurvedica que significa "conhecimento da vida'.
Além de combinar várias ervas medicinais associam ao processo da cura um sistema de remover toxinas e equilibrar os vários humores do corpo. Portanto as ervas Ayurvedicas combinam a experiência com filosofia, tal como o herbalismo chinês.
Os principais componentes do herbalismo chinês
Hoje nota-se uma tendência, cada vez mais popular e difundida, de uso de plantas medicinais que seriam mais naturais, menos tóxicas, não contaminadas pelo mercantilismo e avidez de lucros das grandes indústrias farmacêuticas.
O uso de chá verde vem crescendo de forma linear nas civilizações ocidentais. O chá verde resulta de uma infusão de folhas do arbusto Camélia sinensis, que são coletadas ao fim da primavera, com um mínimo de talo e não sofrrem processo de oxidação e fermentação como o tradicional chá preto.
Cada província da China produz o seu chá verde tal como as regiões vinícolas da França, por exemplo, apregoam que o vinho ali produzido é o melhor. A província de Zhejiang é considerada como produtora do melhor chá verde do mundo. O processo de servir o chá verde é importante e tradicional. Usa-se cerca de 4 gramas do chá em 250ml de água (pouco mais que um copo comum).
A água fervente é vertida sobre o chá verde e o tempo de cocção não deve ultrapassar de 2 a 3 minutos. Desta forma os componentes do chá verde são extraídos das folhas. O mais importante componente é a cafeína, a qual está em proporção quase tão elevada quanto à que se encontra no café. Alguns tipos de chá verde chegam a ter 32mg de cafeína por xícara. Além da cafeína o chá verde contém Teofilina e Teobromina.
Devido a estes estimulantes, estudos conduzidos no Japão indicaram que o uso de chá verde leva a aumento da oxidação de gordura corporal (o gasto energético eleva-se em 17% comparando com o valor basal). Tal fato levou os cientistas japoneses a admitir que o uso diário de 1,5 litro de chá verde pode significar queima adicional de 70 a 80 calorias. Outros efeitos benéficos do chá verde estão ligados ao colesterol. Comprovadamente o uso diário de chá verde reduz o mau colesterol (LDL) e eleva o bom colesterol (HDL).
O chá verde tem ação nas membranas celulares, inibindo os radicais livres e prolongando a vida da célula. Teria ainda efeitos positivos em doenças degenerativas do sistema nervoso central (Alzheimer e Parkinson). Pode ser útil na esclerose múltipla. Estas ações terapêuticas do chá verde não foram, todavia, confirmadas pelo órgão oficial de medicamentos dos Estados Unidos.
Em estudos a longo prazo, o uso diário de chá verde contribui para maior longevidade e significativo declínio da prevalência de câncer em populações orientais.
A planta chamada de Ma Huang (Ephedra Surica)
Infusões realizadas com esta erva medicinal chinesa vem sendo usada por milhares de anos como diurético, antifebril, adstringente e antitensígeno.
A base química do MA HUANG é a efedrina, que, há muitos anos, na farmacopeia ocidental, é altamente eficaz para as crises de asma, congestão nasal além de moléstias respiratórias. Na complexa medicina chinesa o MA HUANG é um dos componentes mais importantes das formulações multi-herbais.
Estas fórmulas elevam a moral, aumentam o dinamismo, conduzem ao estado de alerta e de energia positiva. Além disso, reduzem o apetite e é utilizado para induzir perda ponderal no obeso.
Este efeito redutor de peso é devido ao estímulo adrenérgico e a permanente exaltação psíquica. Todavia existe o risco de efeitos colaterais como taquicardia (aumento dos batimentos cardíacos), possibilidade de hipertensão, nervosismo, tremuras dos dedos e insônia.
Os efeitos são minorados com o uso de doses menores da formulação herbal. Nas farmácias herbais das comunidades chinesas de Nova York e San Francisco o MA HUANG é sempre encontrado em "misturas herbalísticas", que contém cerca de 13mg de efedrina. Tal dose não deve ser usada por mais de 3-4 semanas.
O gengibre (Zingber Officinales) e o alho
O extrato da raiz do gengibre é usado como digestivo e para moléstias do estômago. Mas o seu maior campo de ação é minorar os efeitos da náusea provocados pelo balanço do barco (ou outro veículo), ou seja, o enjoo do movimento. Por outro lado o gengibre aplicado localmente possui nítidos efeitos anti-inflamatórios em casos de artrose, artrites, contusões.
O alho (Allium Sativom) tem sido apregoado como um excelente agente no sentido de baixar o colesterol e, consequentemente, de prevenir as doenças coronarianas. É, possivelmente, um dos mais antigos vegetais de uso medicinal.
Vários estudos documentam a ação protetora do alho tanto no controle da pressão alta como na formação de placas de colesterol dentro de artérias. Muito recentemente cientistas chineses documentaram que o uso contínuo de Tanshinone (ou Tan) - um componente ativo do Radix Salvia miltiorrhiza (raiz de sálvia) - reduz o peso corporal e diminui o nível de lípides (gordura) na circulação.
Verificaram também que o Tan age elevando a sensibilidade à insulina, diminui o número de adipocitos (células que contêm gordura) e eleva o gasto energético. Conclusão: a tradicional medicina chinesa está nos ensinando a tratar a obesidade de forma mais natural e segura.
Por Geraldo Medeiros 25-02-09
Mas não há muita dúvida de que o herbalismo chinês, pela sua importância e amplo uso em vários países asiáticos (além da China), seria o mais importante. Um documento sobre Medicina Herbal, datando de 2700 anos aC, lista cerca de 365 plantas medicinais e as suas respectivas ações terapêuticas.
As gerações sucessivas de médicos chineses ampliaram este arsenal herbalista e no século VII de nossa era surgiu o "Tratado da Natureza e uso de Plantas Medicinais".
Nestes textos antigos nota-se que existe muito influência filosófica (Teoria Confunciana), poética e apelo a influências cósmicas. Não se pode comparar a Medicina Herbal dos Chineses com nossa maneira de utilizar um remédio para determinada moléstia.
Geralmente o médico chinês usa combinações de várias plantas. Em tais panaceias existe o componente que, sob o ponto de vista hierárquico, é o mais importante (em chinês: o "rei" da preparação terapêutica), ao qual se agregam outras comparáveis aos ministros do rei, que são auxiliares na "cura" do problema.
Para completar a fórmula agregam-se as ervas adjuvantes (plantas comparáveis aos militares) e as ervas secretas. Portanto a Medicina Tradicional Chinesa usa os vários componentes de acordo com a idade, o sexo, a corpulência, as manifestações clínicas e emocionais, bem como a influência cósmica, o horóscopo do dia, a data do nascimento.
Todos estes fatores clínicos, filosóficos e cósmicos individualizam a preparação para cada paciente. A Medicina Herbalista também floresceu na Índia com o nome genérico de Ayurvedica que significa "conhecimento da vida'.
Além de combinar várias ervas medicinais associam ao processo da cura um sistema de remover toxinas e equilibrar os vários humores do corpo. Portanto as ervas Ayurvedicas combinam a experiência com filosofia, tal como o herbalismo chinês.
Os principais componentes do herbalismo chinês
Hoje nota-se uma tendência, cada vez mais popular e difundida, de uso de plantas medicinais que seriam mais naturais, menos tóxicas, não contaminadas pelo mercantilismo e avidez de lucros das grandes indústrias farmacêuticas.
O uso de chá verde vem crescendo de forma linear nas civilizações ocidentais. O chá verde resulta de uma infusão de folhas do arbusto Camélia sinensis, que são coletadas ao fim da primavera, com um mínimo de talo e não sofrrem processo de oxidação e fermentação como o tradicional chá preto.
Cada província da China produz o seu chá verde tal como as regiões vinícolas da França, por exemplo, apregoam que o vinho ali produzido é o melhor. A província de Zhejiang é considerada como produtora do melhor chá verde do mundo. O processo de servir o chá verde é importante e tradicional. Usa-se cerca de 4 gramas do chá em 250ml de água (pouco mais que um copo comum).
A água fervente é vertida sobre o chá verde e o tempo de cocção não deve ultrapassar de 2 a 3 minutos. Desta forma os componentes do chá verde são extraídos das folhas. O mais importante componente é a cafeína, a qual está em proporção quase tão elevada quanto à que se encontra no café. Alguns tipos de chá verde chegam a ter 32mg de cafeína por xícara. Além da cafeína o chá verde contém Teofilina e Teobromina.
Devido a estes estimulantes, estudos conduzidos no Japão indicaram que o uso de chá verde leva a aumento da oxidação de gordura corporal (o gasto energético eleva-se em 17% comparando com o valor basal). Tal fato levou os cientistas japoneses a admitir que o uso diário de 1,5 litro de chá verde pode significar queima adicional de 70 a 80 calorias. Outros efeitos benéficos do chá verde estão ligados ao colesterol. Comprovadamente o uso diário de chá verde reduz o mau colesterol (LDL) e eleva o bom colesterol (HDL).
O chá verde tem ação nas membranas celulares, inibindo os radicais livres e prolongando a vida da célula. Teria ainda efeitos positivos em doenças degenerativas do sistema nervoso central (Alzheimer e Parkinson). Pode ser útil na esclerose múltipla. Estas ações terapêuticas do chá verde não foram, todavia, confirmadas pelo órgão oficial de medicamentos dos Estados Unidos.
Em estudos a longo prazo, o uso diário de chá verde contribui para maior longevidade e significativo declínio da prevalência de câncer em populações orientais.
A planta chamada de Ma Huang (Ephedra Surica)
Infusões realizadas com esta erva medicinal chinesa vem sendo usada por milhares de anos como diurético, antifebril, adstringente e antitensígeno.
A base química do MA HUANG é a efedrina, que, há muitos anos, na farmacopeia ocidental, é altamente eficaz para as crises de asma, congestão nasal além de moléstias respiratórias. Na complexa medicina chinesa o MA HUANG é um dos componentes mais importantes das formulações multi-herbais.
Estas fórmulas elevam a moral, aumentam o dinamismo, conduzem ao estado de alerta e de energia positiva. Além disso, reduzem o apetite e é utilizado para induzir perda ponderal no obeso.
Este efeito redutor de peso é devido ao estímulo adrenérgico e a permanente exaltação psíquica. Todavia existe o risco de efeitos colaterais como taquicardia (aumento dos batimentos cardíacos), possibilidade de hipertensão, nervosismo, tremuras dos dedos e insônia.
Os efeitos são minorados com o uso de doses menores da formulação herbal. Nas farmácias herbais das comunidades chinesas de Nova York e San Francisco o MA HUANG é sempre encontrado em "misturas herbalísticas", que contém cerca de 13mg de efedrina. Tal dose não deve ser usada por mais de 3-4 semanas.
O gengibre (Zingber Officinales) e o alho
O extrato da raiz do gengibre é usado como digestivo e para moléstias do estômago. Mas o seu maior campo de ação é minorar os efeitos da náusea provocados pelo balanço do barco (ou outro veículo), ou seja, o enjoo do movimento. Por outro lado o gengibre aplicado localmente possui nítidos efeitos anti-inflamatórios em casos de artrose, artrites, contusões.
O alho (Allium Sativom) tem sido apregoado como um excelente agente no sentido de baixar o colesterol e, consequentemente, de prevenir as doenças coronarianas. É, possivelmente, um dos mais antigos vegetais de uso medicinal.
Vários estudos documentam a ação protetora do alho tanto no controle da pressão alta como na formação de placas de colesterol dentro de artérias. Muito recentemente cientistas chineses documentaram que o uso contínuo de Tanshinone (ou Tan) - um componente ativo do Radix Salvia miltiorrhiza (raiz de sálvia) - reduz o peso corporal e diminui o nível de lípides (gordura) na circulação.
Verificaram também que o Tan age elevando a sensibilidade à insulina, diminui o número de adipocitos (células que contêm gordura) e eleva o gasto energético. Conclusão: a tradicional medicina chinesa está nos ensinando a tratar a obesidade de forma mais natural e segura.
Por Geraldo Medeiros 25-02-09


