quarta-feira, 3 de abril de 2013

Dormir muito tarde e por poucas horas é causa importante do aumento do peso

Desde há muitos anos, os médicos sabiam que pessoas que dormem menos que 5 ou 6 horas diárias, ficando acordados até 2 ou 3 horas da madrugada, estão mais propensas a ganharem peso. O mesmo ocorre em crianças na fase escolar.


Um novo e fascinante estudo vem confirmar que esta falta de sono talvez seja mais perigosa do que se pensava. Os pesquisadores do sono da Universidade de Colorado estudaram pessoas saudáveis de ambos os sexos durante 2 semanas, nas quais houve monitoramento do sono, registro dos hábitos alimentares e meticulosos testes do metabolismo. A equipe médica descobriu que quando os participantes do estudo ficavam acordados até tarde e dormiam apenas 5 ou 6 horas, o seu metabolismo aumentava discretamente. Todavia, esses pacientes ingeriam muito mais alimentos durante o período de vigília e quase sempre mostravam predileção para alimentos densamente calóricos, inclusive com excesso de carboidratos. Tal fato não foi observado nos participantes que dormiam 9 horas por noite. Ao final do estudo, os pacientes notívagos (com poucas horas de sono) chegaram a ganhar até 1 kilo por semana, comparativamente aos pacientes com sono normal.
 

Em conclusão, o fato de dormir poucas horas por noite e permanecer acordado até muito tarde é um fator documentado de ganho de peso e que a privação do sono deve ser corrigida porque desregula o relógio biológico das pessoas, o que pode iniciar um processo de ganho de peso.

Prof. Geraldo Medeiros-Neto
Ref.Wright K et al. Proc Nat Acad Sciences, 2013

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Saúde Pública, ANVISA e a População com Obesidade


Geraldo Medeiros-Neto
Professor Senior de Endocrinologia da Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo


INTRODUÇÃO
 
Em dezembro de 2011, o colegiado da ANVISA, contrariando todos os pareceres de entidades médicas altamente conceituadas, tais como o Conselho Federal de Medicina, Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade, decidiu suspender a licença de três produtos rotulados como “anfetamínicos”: anfepramona, fenproporex e mazindol.
O primeiro erro foi classificar o mazindol como anfetamínico, quando esse fármaco não possui, em sua estrutura química, o chamado anel anfetamínico. É um produto sintetizado pela indústria suíça Sandoz e com qualidade farmacotécnicas muito apropriadas para a terapêutica auxiliar na obesidade. O segundo grande erro da ANVISA foi o de não indicar quaisquer estudos científicos publicados em revistas nacionais ou internacionais que justificassem esta drástica medida. Por outro lado, a ANVISA cercou a prescrição da sibutramina de um número inaceitável de documentação burocrática destinada, segundo consta, a manter o obeso preocupado com efeitos colaterais do fármaco que o seu médico tinha receitado. O conjunto dessas medidas, em resumo, deixaram para a terapêutica do obeso apenas duas possíveis indicações: a sibutramina e o orlistat.
Apesar de todos os protestos da comunidade médica, a ANVISA não voltou atrás nessa suspensão do uso de medicamentos presentes durante décadas no receituário de profissionais conceituados e habilitados para a prescrição de tais fármacos.

SUBSTITUIÇÃO DOS MEDICAMENTOS SUSPENDIDOS

Como já se poderia prever, o vácuo deixado pela falta de medicamentos de obesidade levou a verdadeiras distorções no “mercado farmacêutico”. Como exemplo, cita-se o uso de medicamentos injetáveis, indicado somente para terapêutica de diabetes, que foi extensivamente e abusivamente empregado, mesmo sem prescrição médica, por incautos pacientes desejosos de perder alguns quilos. Por outro lado surgiram nas redes sociais e na internet de forma geral, várias modalidades terapêuticas para a obesidade, envolvendo grosseiras charlatanices, tais como “o óleo de coco emagrece”, “injeções de chá verde para gordura localizada” e outras fantasiosas preparações herbais de origem obscura e efeito nulo, na desejável perda ponderal. Mais grave ainda foi a oferta ilegal de anorexígenos, como fenproporex, por pessoas, sociedades comerciais, sacoleiros, contrabandistas, vindo dos países vizinhos do Brasil.