Geraldo Medeiros
Os cistos e nódulos na tireoide são comuns.
A glândula tireoide situa-se na face anterior do pescoço, logo abaixo da cartilagem chamada “pomo de Adão” assim denominado por ser mais visível e proeminente no sexo masculino. Em adultos a tireoide é maior nos homens (até 18 gramas) e menor no sexo feminino (até 15 gramas). Aumenta no período gravídico para atender as necessidades hormonais da mãe e da criança em gestação e decresce com a idade, podendo apresentar-se como atrófica (menor que 5g) acima dos 65-70 anos. A tireóide produz dois hormônios (T3, T4) com ampla atividade no sistema energético, induzindo a “queima” de gordura para gerar calor. É indispensável para o tegumento cutâneo (cabelos, unhas), para a manutenção do colágeno (que sustenta a pele e a mantém viçosa e jovem), importante para a fertilidade da mulher, indispensável para o bom funcionamento do fígado, dos rins, do coração e do nosso sistema nervoso central. Enfim o bom funcionamento da tireóide, como “governanta” da casa fará com que nosso peso seja mantido, permaneçamos jovens e saudáveis. Decorrente deste fato, nos últimos 10-15 anos tornou-se freqüente a solicitação de exames de sangue visando aferir a função da tireoide, principalmente em mulheres (mais sujeitas a doenças da tireoide). Passou-se, portanto, a detectar-se com mais frequência a falta de função da glândula (HIPOTIREOIDISMO) em pessoas que nada ou quase nada sentiam. Mais recentemente o uso cada vez mais frequente da ultra-sonografia, método de imagem que permite visualizar a tireoide e estruturas vizinhas no vídeo, isto é, na tela do computador, indicou que número crescente de pessoas apresenta CISTOS (pequenas esferas cheias de líquido) ou Nódulos (formações geralmente sólidas dentro do tecido tireóideo). Obviamente o achado de um cisto ou nódulo na tireoide causa certo grau de temor ao paciente pensando tratar-se de enfermidade maligna.
O diagnóstico de cistos / nódulos da tireoide
O achado de um ou mais cistos na tireóide é relativamente comum e mais frequente após os 40-50 anos. A origem do cisto é provavelmente a “morte” de um conjunto de células da tireoide, criando uma área desprovida de função, a qual é, rapidamente, preenchida por líquido da circulação e, finalmente, assumindo forma esférica. Na ultra-sonografia surge como uma “bolinha” escura, pois os ecos emitidos pelo aparelho ecográfico atravessam o líquido e não retornam (fenômeno que se chama hipoecogenicidade). Do ponto de vista prático os cistos são benignos. Somente quando existe no seu interior um “pedaço” de tecido, projetando-se para o interior liquido é que pode pensar em realizar uma punção deste tecido e examinar as células em microscópio. Apenas 2% dos cistos podem albergar tecido maligno no seu interior.


