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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Bócio: tireoide aumentada de tamanho

Geraldo Medeiros

A tireóide pode aumentar de tamanho se faltar iodo

A tireóide, glândula situada na região cervical anterior, logo abaixo da cartilagem de mesmo nome (chamada de “Pomo de Adão”) foi, pela primeira vez, descrita com detalhes anatômicos pelo genial artista, pensador, inventor e filosofo Leonardo da Vinci. O desenho de Leonardo mostra, nitidamente, a glândula tireóide, em forma de “borboleta”, situada entre as duas artérias que levam o sangue para o cérebro (carótidas). Naquela ocasião, no século XVII pouco (ou nada) se sabia das funções desta importante glândula.

Mas o conhecimento de que a tireóide podia se mostrar aumentada, volumosa, fazendo-se saliente no pescoço é muito antigo. Os chineses já sabiam que em regiões montanhosas da CHINA, muitas pessoas tinham o “pescoço grosso, entumescido”. Empiricamente a Medicina chinesa tratava estes pacientes com “esponja do mar” que hoje sabemos conter iodo. Um historiado romano, Juvenal, ao acompanhar as tropas do exército romano que partiam para consolidar a conquista da Gália (atual França) observou que os habitantes dos Alpes apresentavam grande volume no pescoço que se denominava de “Guttur”, vocábulo em latim que deu origem à “goiter, goitre”. Em português chama-se BOCIO ou Papo. Somente no século XIX, após descoberta do iodo (1805) é que se aventou a hipótese de que regiões montanhosas, longe do mar, poderiam ter falta de iodo, o que levaria a glândula tireóide a crescer.



quarta-feira, 19 de abril de 2017

A criança obesa

A obesidade infantil é um problema mundial

Podemos dividir o problema das crianças com excesso de peso e as com obesidade instalada (índice de massa corporal elevado) em várias fases temporais. Na fase 1, iniciando-se ao redor de 1970, raramente tínhamos este problema nos ambulatórios do Hospital das Clínicas,  e em hospitais infantis no exterior, como o Hospital de Crianças de Boston. Raros casos surgiam, quase    sempre associados a outros distúrbios psiquiátricos, hormonais ou genéticos. 


A partir, todavia, dos anos 90 o excesso de peso vem ocorrendo progressivamente em crianças de todos os níveis socioeconômicos, em vários grupos étnicos e em todos os Estados Brasileiros. O Nordeste, por exemplo, sempre considerado como albergando grande número de desnutridos, ao final do século vinte, já apresentava uma reversão desta tendência: o número de crianças com sobrepeso e obesidade ultrapassava aquelas com algum grau de desnutrição. Ampla oferta de comida, abundante e barata, pelo fim da inflação, acessível aos bolsos dos menos favorecidos, suplementação social por Bolsas Família, colocaram nas mesas dos socialmente mantidos nas classes D e E, uma quantidade de energia calórica bem maior e consistente do que em passado recente. O resultado parece ser claro: a fome oculta de muitas gerações, o baixo peso ao nascer, fruto de eventual desnutrição protéico-calórica durante a gestação, alterariam o “fomestato”, isto é, os reguladores da Fome e da Saciedade, desviando a entrada de energia calórica para um excesso alimentar, logo armazenado como GORDURA. Este tipo de fenômeno foi, também, observado nos EUA, em que as minorias hispânicas bem como os afrodescendentes têm um enorme contingente de crianças obesas.


A Fase 2 da epidemia de obesidade infantil.