Geraldo Medeiros
A dieta da genética
A genética governa o nosso metabolismo interno, seja na parte de acúmulo e gasto energético, seja no setor de fome e saciedade. Portanto, nada mais claro e evidente que tenhamos que organizar para cada paciente um tipo de dieta que lhe é absolutamente individual, isto é, que atenda aos eventuais desvios que os genes desfavoráveis realizam, isto é, empurrando o paciente a se empanturrar de doces e carboidratos, a ter compulsão por chocolates, a ter o terrível hábito de consumir alimentos à noite (o famoso pic-night) bem como a voracidade com que ingere alimentos nem sequer permitindo que a esplêndida e eficiente comunicação entre o tubo digestivo e o cérebro (através de peptídeos intestinais como ghrelina, PYY, GLP-1) tenham a chance de se manifestar. Por outro lado, a ciência reconhece hoje que o sistema nervoso central, nas zonas hipotalâmicas do cérebro têm papel fundamental na ingesta e, mais importante do que esta, na seletividade do que comemos. Está lá tudo programado, isto é, quando devemos comer, quais os alimentos mais indicados, os menos desejados, enfim tudo organizado para uma perfeita harmonia. Mas, e este é um enorme MAS, os genes e o ambiente modificam toda a “harmonia da orquestra” para “desafinarem” e induzirem preferência total para, por exemplo, doces e carboidratos, chocolates e sorvetes, pic-nite e outros vícios de ingestão de “tranqueiras” a toda hora. Neste sentido é que se impõe a DIETA DA GENÉTICA, adaptada a cada caso clínico.
Genes, insulina e carboidratos
Vamos falar da genética predisponente a diabetes e obesidade. Por que estas duas condições clínicas andam juntas? Primeiro, porque os genes chamados de candidatos a induzirem diabetes e aqueles que são orientados a produzirem obesidade estão muito próximos e localizados na mesma região cromossômica. Seria isto um acaso? Algo fortuito? Apenas uma coincidência? Não acredito. A mãe natureza não seria tão absurdamente errônea ao colocar juntos os genes de diabetes e obesidade uma vez que, como se sabe, o excesso de peso leva, em longo prazo, apreciável número de pacientes ao diabetes. Acreditamos que os pacientes que possuem razoável número de familiares próximos com obesidade e diabéticos passam a gerar descendentes, cujas células Beta do Pâncreas (secretores do hormônio insulina) sejam muito sensíveis ao estímulo produzido por elevação do “açúcar do sangue”, isto é, a glicose circulante. Esta sensibilidade exagerada à elevação da glicose irá causar sérios problemas aos que são portadores de tais genes. Ingerida substancial porção de doces, pães, bolachas, massas, batatas, arroz, etc., todos estes alimentos são convertidos em glicose (açúcar do sangue). Esta glicose elevada conduz a uma super-hiper-resposta das células beta a soltar uma enormidade de insulina. Portanto, os genes desencadearam um fenômeno fisiológico totalmente errado e de consequências graves.